Toda empresa que lida com dados sensíveis enfrenta, hoje, uma pergunta que há alguns anos era secundária: quem tem acesso a essa informação, e o que aconteceria se ela caísse em mãos erradas? Em setores como o financeiro ou o de saúde, essa preocupação já é antiga. Mas há um tipo de operação que costuma ficar fora desse radar, mesmo lidando com um volume de dados tão sensível quanto: a gestão ambiental de grandes empreendimentos.
Um projeto de licenciamento ambiental — de uma linha de transmissão, por exemplo — reúne informação de origens bem diferentes entre si. Há dados fundiários, ligados à propriedade e ao uso da terra por onde o empreendimento passa. Há dados dos próprios programas ambientais: levantamentos de flora e fauna, mapeamento de áreas de supressão vegetal, séries de monitoramento que se estendem por anos. Há também toda a camada de dados geográficos — coordenadas, shapefiles, imagens de satélite, bases que localizam com precisão onde cada atividade ocorre ou vai ocorrer. Cada uma dessas frentes, isoladamente, já exigiria cuidado. Juntas, formam um conjunto de informação que, se exposto ou perdido, compromete não só a empresa responsável, mas a viabilidade do próprio empreendimento.
É por isso que a segurança da informação, dentro desse tipo de operação, deixa de ser uma pauta de TI e passa a ser uma pauta de negócio. Não é só sobre evitar um vazamento, é sobre garantir que uma negociação em andamento não seja prejudicada por informação que chegou a quem não deveria, que um dado de campo coletado há três anos ainda esteja íntegro e rastreável, que um cliente confie que os dados que compartilhou estão sendo tratados com o mesmo rigor que ele exigiria internamente. Quando isso falha, o problema raramente aparece de forma imediata, ele aparece meses depois, como um atraso, uma renegociação, ou uma exposição legal que poderia ter sido evitada.
No Grupo Lago Azul, essa preocupação nunca foi algo novo, sempre levamos a sério o cuidado com os dados que passam pelas nossas mãos. Antes mesmo de qualquer exigência formal, já tínhamos dado passos nessa direção: migramos arquivos físicos para a nuvem, implementamos uma política de senhas mais rígida, entre outras pequenas ações que, com o tempo, foram se somando e amadurecendo nossa forma de lidar com a informação. Em 2022, esse cuidado ganhou um novo fôlego: começamos a adequação formal da empresa à LGPD, com apoio de uma consultoria jurídica especializada, revisando contratos e a forma como tratamos dados de terceiros. Esse processo deixou claro que a parte jurídica, por si só, não resolvia tudo, era preciso também revisar a infraestrutura técnica por trás dela. Por isso, contratamos uma empresa especializada e fizemos primeiro um mapeamento interno para identificar onde estávamos vulneráveis e o que precisava ser corrigido — e, a partir desse diagnóstico, fomos implementando as medidas necessárias: instalamos firewall, passamos a exigir VPN para acesso ao nosso banco de dados, e temos levado gradualmente os sistemas mais sensíveis da empresa para dentro dessas conexões protegidas. Também unificamos todos os nossos acessos em um único ambiente, padronizando o controle de permissões através do painel administrativo da empresa. Em paralelo, seguimos revisando contratos com fornecedores e investindo em treinamento das equipes, porque segurança da informação não é uma etapa que se conclui, é uma rotina que acompanha o crescimento da empresa, e continuamos, dia após dia, ajustando o que já temos e corrigindo o que o mapeamento ainda aponta.
Sabemos que esse cuidado tem um custo. Verificar cada processo, treinar cada equipe, revisar cada contrato leva tempo e exige recursos que não aparecem diretamente no resultado entregue ao cliente. Mas entendemos que esse investimento se paga: o custo de prevenir é sempre menor do que o custo de lidar com um incidente depois que ele já aconteceu, seja um vazamento, uma paralisação ou uma sanção regulatória. No fim, esse cuidado não protege só o Grupo Lago Azul. Protege também os nossos clientes, que confiam a nós dados estratégicos de seus próprios empreendimentos, e reforça a maturidade de um setor que lida, todos os dias, com muito mais informação sensível do que normalmente se imagina.